
Seguro de carro é mais barato para mulher? O que mostram os dados da SUSEP
Resumo rápido
- Sim, na média a mulher paga menos: na base pública da SUSEP (AUTOSEG, 1º semestre de 2021, a mais recente publicada), a taxa do seguro de carro é 8,5% menor para mulheres. A diferença é de 19,6% entre 18 e 25 anos e cai para 4,7% depois dos 55.
- O motivo não é "bater menos": as mulheres têm 25% menos colisão com perda total, mas a mesma frequência, até um pouco maior, de batidas parciais. O que pesa no preço é a batida grave.
- A partir dos 46 anos as mulheres sofrem mais roubo e furto que os homens (+21% entre 46 e 55, +35% depois dos 55). Isso ajuda a explicar por que, em alguns perfis, o seguro dela não sai mais barato.
- Declarar a esposa como principal condutora para pagar menos, quando quem dirige é o marido, é omissão dolosa: pela Lei 15.040/2024 (art. 44), a seguradora pode negar a indenização.
Seguro de carro é mais barato para mulher?
Na média, é. Na base pública da SUSEP, a taxa do seguro de carro é 8,5% menor para mulheres do que para homens. A diferença muda bastante com a idade: é de 19,6% entre 18 e 25 anos e cai para apenas 4,7% depois dos 55. E ela não vem de onde a maioria imagina: as mulheres não batem menos, elas batem menos de forma grave.
Os números deste guia não são estimativa nem pesquisa de comparador. Saem do AUTOSEG, o sistema em que a SUSEP, que regula o mercado de seguros, publica prêmio, valor dos carros e sinistros de todas as seguradoras do país, separados por sexo e idade do condutor. Baixamos a base completa, que tem mais de 500 MB, e fizemos a conta. É o mesmo método que usamos no guia de seguro auto para motorista jovem, e ele está descrito no fim deste texto.
Um aviso logo de início: o período mais recente que a SUSEP publica é o 1º semestre de 2021. Conferimos em outubro de 2026, e as bases de 2021B em diante ainda não estão disponíveis. É a fonte primária mais nova que existe para essa pergunta. As reportagens que circulam com números de 2026 não dizem de onde vem o dado, e falamos delas mais abaixo.
Quanto a mulher paga a menos, por idade
A comparação justa não é pelo valor do seguro, e sim pela taxa: o prêmio dividido pelo valor do carro. Isso importa porque homens e mulheres não dirigem os mesmos carros. Nesta base, o carro segurado da mulher vale em média R$ 38.589, um pouco mais que o do homem (R$ 37.917). Comparar só o valor do seguro misturaria o efeito do sexo com o efeito do carro.
| Idade do condutor | Taxa homem | Taxa mulher | Mulher paga a menos | Prêmio médio anual (H / M) |
|---|---|---|---|---|
| 18 a 25 anos | 4,96% | 3,99% | 19,6% | R$ 1.515,98 / R$ 1.341,85 |
| 26 a 35 anos | 3,68% | 3,16% | 14,1% | R$ 1.341,74 / R$ 1.184,86 |
| 36 a 45 anos | 3,27% | 2,90% | 11,3% | R$ 1.260,75 / R$ 1.137,19 |
| 46 a 55 anos | 3,09% | 2,85% | 7,8% | R$ 1.189,91 / R$ 1.116,03 |
| Mais de 55 anos | 2,78% | 2,65% | 4,7% | R$ 1.069,03 / R$ 1.032,04 |
| Todas as idades | 3,17% | 2,90% | 8,5% | R$ 1.202,67 / R$ 1.120,18 |
Fonte: SUSEP, AUTOSEG, arquivo de casco do 1º semestre de 2021 (a base mais recente publicada, conferida em 21/10/2026). Carros de passeio nacionais, cobertura compreensiva, pessoa física com idade informada: 4,38 milhões de veículos-ano, 46% com mulher como condutora. Taxa = prêmio ÷ importância segurada.
Três leituras dessa tabela.
A vantagem da mulher é maior quanto mais jovem. Entre 18 e 25 anos, a jovem paga cerca de um quinto a menos que o jovem da mesma idade pela mesma proteção. Depois dos 55, a diferença praticamente some. Os homens jovens são o grupo que mais concentra sinistro grave, e é isso que a seguradora cobra.
A idade pesa muito mais que o sexo. Um homem de 18 a 25 anos paga uma taxa 78% maior que um homem de mais de 55 (4,96% contra 2,78%). A maior diferença entre sexos, na mesma idade, é de 19,6%. Se o objetivo é entender por que o seu seguro está caro, olhe primeiro para a idade e o perfil de quem dirige, depois para o sexo.
Em valor, a diferença média é de R$ 82 por ano. O prêmio médio da mulher é R$ 1.120,18 contra R$ 1.202,67 do homem, 6,9% a menos, num carro que vale um pouco mais. Não é a diferença que vai mudar a sua escolha de seguradora, mas existe.
O que essas taxas significam em reais
Taxa é um número abstrato, então vale traduzir. Aplicando as taxas médias da SUSEP a um carro de R$ 80 mil, o seguro compreensivo anual ficaria assim:
| Idade do condutor | Homem | Mulher | Diferença por ano |
|---|---|---|---|
| 18 a 25 anos | R$ 3.968 | R$ 3.192 | R$ 776 |
| 26 a 35 anos | R$ 2.944 | R$ 2.528 | R$ 416 |
| 36 a 45 anos | R$ 2.616 | R$ 2.320 | R$ 296 |
| 46 a 55 anos | R$ 2.472 | R$ 2.280 | R$ 192 |
| Mais de 55 anos | R$ 2.224 | R$ 2.120 | R$ 104 |
Conta ilustrativa: valor do carro multiplicado pela taxa média do mercado de 2021 para cada sexo e idade. Não é cotação, e as taxas de hoje são outras, porque o mercado reajustou preços desde então. Serve para dar a ordem de grandeza da diferença entre os sexos.
Para uma motorista jovem, a diferença passa de R$ 700 por ano num carro desse valor. Depois dos 46 anos, ela cai para algo entre R$ 100 e R$ 200. É por isso que a pergunta "mulher paga menos?" tem duas respostas verdadeiras ao mesmo tempo: paga, e para a maioria das mulheres adultas a diferença é pequena.
Por que a mulher paga menos: o tipo de batida
O senso comum diz que "mulher bate menos". A base da SUSEP mostra outra coisa. Separamos a frequência de sinistros por causa, para cada 100 carros segurados durante um ano:
| Tipo de sinistro (por 100 carros/ano) | Homem | Mulher | Diferença |
|---|---|---|---|
| Colisão com perda total | 0,57 | 0,43 | mulher 25% menos |
| Colisão parcial | 4,98 | 5,19 | mulher 4% mais |
| Roubo e furto | 3,46 | 3,90 | mulher 13% mais |
| Custo de sinistro por carro/ano | R$ 867 | R$ 770 | mulher 11% menos |
| Sinistralidade (sinistro ÷ prêmio) | 72,1% | 68,7% | menor na mulher |
Fonte: SUSEP, AUTOSEG 2021A, mesma base da tabela anterior, todas as idades.
A leitura é direta. As mulheres têm a mesma frequência de batida parcial, a batida de estacionamento, o para-choque amassado, a lateral raspada. Têm até um pouco mais. O que elas têm muito menos é a colisão que destrói o carro: 25% menos perda total. E a perda total é, de longe, o sinistro mais caro da apólice, porque a seguradora paga o valor inteiro do carro, em média R$ 32 a 33 mil nesta base.
É por isso que o custo médio de indenização por carro fica 11% menor para as mulheres, e a seguradora consegue cobrar menos e ainda assim ficar com uma margem um pouco melhor (sinistralidade de 68,7% contra 72,1%).
Quanto sobra para a seguradora, por idade
A sinistralidade é a parte do prêmio que volta para os segurados em forma de indenização. Quanto menor, mais margem a seguradora tem naquele perfil, e mais disposta ela fica a disputar o cliente com desconto. Por idade:
- 18 a 25 anos: 80,5% para homens e 74,1% para mulheres;
- 26 a 35 anos: 80,1% e 72,9%;
- 36 a 45 anos: 77,3% e 69,0%;
- 46 a 55 anos: 70,3% e 68,3%;
- mais de 55 anos: 62,7% e 64,2%.
Até os 45 anos, mesmo cobrando bem menos da mulher, a seguradora fica com mais margem nela do que no homem. É um perfil que as seguradoras gostam de atender, o que costuma aparecer em cotações mais competitivas. Depois dos 55, a relação se inverte, e a mulher deixa de ser o perfil mais lucrativo da tabela.
A diferença na batida grave, por idade
A vantagem feminina na perda total aparece em todas as idades, e é maior no meio da vida adulta:
- 18 a 25 anos: 0,97 perda total por 100 carros/ano para homens, 0,70 para mulheres (28% menos);
- 26 a 35 anos: 0,65 contra 0,46 (29% menos);
- 36 a 45 anos: 0,64 contra 0,42 (34% menos);
- 46 a 55 anos: 0,57 contra 0,44 (23% menos);
- mais de 55 anos: 0,45 contra 0,39 (13% menos).
A batida parcial, ao contrário, é mais frequente entre as mulheres jovens: 7,12 contra 6,36 por 100 carros entre 18 e 25 anos (12% mais). Mas o conserto médio de uma batida parcial é menor para elas (R$ 5.766 contra R$ 5.980 na média geral). Muitas batidas leves custam menos para a seguradora do que poucas batidas graves.
O dado que quase ninguém mostra: o roubo depois dos 46 anos
Se a mulher tem menos sinistro grave, por que existem perfis em que o seguro dela não sai mais barato? A base da SUSEP dá uma pista que não vimos em nenhum comparador. A frequência de roubo e furto muda de lado com a idade:
| Idade | Roubo e furto, homem | Roubo e furto, mulher | Diferença |
|---|---|---|---|
| 18 a 25 anos | 6,54 | 5,07 | mulher 22% menos |
| 26 a 35 anos | 4,17 | 3,85 | mulher 8% menos |
| 36 a 45 anos | 3,63 | 3,90 | mulher 7% mais |
| 46 a 55 anos | 3,20 | 3,88 | mulher 21% mais |
| Mais de 55 anos | 2,85 | 3,84 | mulher 35% mais |
Ocorrências por 100 carros segurados por ano. Fonte: SUSEP, AUTOSEG 2021A.
Entre os jovens, os homens são mais roubados. A partir dos 36 anos a situação se inverte, e depois dos 55 a mulher tem 35% mais roubo e furto que o homem da mesma idade. A base não diz o motivo, e não vamos inventar um. Mas o efeito no preço é concreto: na faixa de mais de 55 anos, a sinistralidade da mulher (64,2%) já é maior que a do homem (62,7%), mesmo com menos perda total.
Na prática, isso significa que, para uma motorista acima dos 46 anos, num CEP e num modelo de carro muito visados por ladrões, o seguro pode não sair mais barato que o do marido. É uma das explicações possíveis para as reportagens que falam em "inversão", e é por isso que vale cotar com o seu perfil real em vez de confiar na regra geral.
Quem são as mulheres que fazem seguro de carro
A mesma base mostra um retrato que ajuda a entender o mercado. As mulheres são 46% dos condutores principais de carros de passeio com seguro compreensivo de pessoa física, e a participação delas muda com a idade:
- 18 a 25 anos: 42% dos condutores segurados;
- 26 a 35 anos: 49%;
- 36 a 45 anos: 50%, a única faixa em que elas são maioria, ainda que por pouco;
- 46 a 55 anos: 48%;
- mais de 55 anos: 39%.
E em todas as idades a mulher segura um carro um pouco mais caro que o homem da mesma faixa. A diferença é maior entre os jovens: a motorista de 18 a 25 anos segura em média um carro de R$ 33.588, contra R$ 30.534 do rapaz da mesma idade, 10% a mais. Nas outras faixas, a diferença fica entre 1% e 3%.
Esse detalhe explica uma confusão comum. Quem compara só o valor do boleto vê uma diferença menor entre os sexos do que a real, porque a mulher está pagando o seguro de um carro que vale mais. Pela mesma proteção, medida pela taxa, a vantagem dela é maior do que o boleto sugere, como mostra a primeira tabela deste guia.
"Em 2026 o seguro ficou mais caro para mulheres": o que dá para afirmar
Em 2026 circularam reportagens dizendo que o seguro de carro passou a ficar mais caro para mulheres "em diversos casos", com diferenças de "até R$ 2 mil". Lemos com atenção: nenhuma delas informa de onde vem o número. Não há nome de pesquisa, amostra, período ou metodologia, só "dados de mercado e simulações".
Não é possível confirmar nem desmentir esse tipo de afirmação sem a fonte. O que dá para afirmar com dado público é o seguinte:
- na fonte primária oficial mais recente (SUSEP, 2021), a mulher paga menos em todas as faixas de idade;
- a vantagem dela vem da perda total, e é menor quanto mais velha a condutora;
- acima dos 46 anos, o roubo maior entre mulheres empurra o risco na direção contrária;
- cada seguradora tem a sua tabela, e o sexo é só um dos fatores do cálculo.
Uma simulação isolada, com um modelo de carro específico, pode sim dar um seguro mais caro para a mulher. Isso não muda a média, e também não garante que o seu caso siga a média. A resposta para o seu carro está na cotação.
Como o sexo entra no cálculo: o questionário de perfil
A seguradora não pergunta o sexo de quem é dono do carro, e sim de quem dirige o carro. Todo seguro auto de pessoa física tem um questionário de perfil, e as perguntas mais importantes para o preço são:
- quem é o principal condutor, ou seja, quem dirige o carro na maior parte do tempo, com idade, sexo e estado civil;
- se alguém de 18 a 25 anos dirige o carro, mesmo que de vez em quando;
- o CEP de onde o carro dorme e se há garagem em casa, no trabalho e na faculdade;
- o uso do carro: particular, ida ao trabalho, trabalho com o carro, aplicativo.
O principal condutor não precisa ser o dono do carro. Um carro em nome do marido, dirigido no dia a dia pela esposa, deve ter ela como principal condutora. E o contrário também vale.
Casal com um carro só: quem declarar como principal condutor
É a dúvida mais comum na hora de cotar. A regra é simples: principal condutor é quem dirige o carro na maior parte do tempo, não quem é o dono nem quem paga o seguro. Alguns cenários práticos:
- Ela usa o carro para ir trabalhar todo dia e ele dirige no fim de semana: ela é a principal condutora, e ele é condutor eventual.
- Ele usa o carro todo dia e ela, de vez em quando: ele é o principal condutor, mesmo que o seguro dela saísse mais barato.
- Os dois usam na mesma medida: informe a situação real na cotação. Cada seguradora tem a sua forma de tratar o uso dividido, e a resposta honesta é a que protege na hora do sinistro.
- Há um filho de 18 a 25 anos que pega o carro: ele precisa ser informado, mesmo que dirija pouco. É a pergunta do questionário que mais pesa no preço e a que mais gera negativa quando omitida.
Se a rotina da casa muda depois de contratar, por exemplo ela passa a trabalhar de casa e ele começa a usar o carro todo dia, comunique a seguradora. Pelo artigo 14 da Lei 15.040/2024, o segurado deve avisar o agravamento relevante do risco assim que souber. O ajuste costuma ser só no prêmio, e a cobertura continua de pé.
Colocar a esposa como principal condutora para pagar menos: o risco real
É a tentação mais comum quando se descobre que o seguro dela sai mais barato: trocar o principal condutor na cotação, mesmo que quem dirige todo dia seja o homem. A lei de seguros em vigor desde dezembro de 2025, a Lei 15.040/2024, trata exatamente disso no artigo 44:
- o segurado é obrigado a dar as informações que a seguradora pede no questionário, porque elas definem a aceitação e a taxa;
- se a informação falsa ou a omissão for intencional (dolosa), o segurado perde a garantia, e ainda continua devendo o prêmio;
- se for sem intenção (culposa), a indenização é reduzida na proporção da diferença entre o prêmio pago e o que seria cobrado com a informação correta.
Na prática, quando há um sinistro grave, a seguradora investiga quem dirigia e quem costuma dirigir o carro. Se ficar claro que o perfil foi montado para baixar o preço, o resultado pode ser uma perda total sem indenização. Uma economia que, na média da SUSEP, fica abaixo de R$ 200 por ano não compensa o risco de perder um carro inteiro.
Se você mudou de rotina, quem dirige o carro mudou ou entrou um condutor jovem na casa, avise a seguradora. A lei também obriga o segurado a comunicar agravamento relevante do risco assim que souber (artigo 14). Na maioria das vezes, a correção do perfil só ajusta o prêmio, e você fica coberto.
E a motorista de aplicativo?
Muitas mulheres passaram a dirigir por aplicativo nos últimos anos, e aqui o sexo importa pouco perto de outro ponto: o uso do carro. Apólice de uso particular não cobre transporte remunerado de passageiros, e rodar por aplicativo sem declarar é um dos caminhos mais curtos para ter um sinistro negado. Se você dirige por aplicativo, mesmo em parte do tempo, o uso precisa estar na apólice. Explicamos quais seguradoras aceitam esse uso e como cotar no guia de seguro auto para motorista de aplicativo.
A seguradora pode cobrar diferente por sexo?
No Brasil, as seguradoras usam o sexo do principal condutor como um dos fatores do preço, e não encontramos norma da SUSEP que proíba essa prática. A justificativa é estatística, e os dados da própria SUSEP mostram que a diferença de risco existe.
Nem todo lugar pensa assim. Na União Europeia, desde 21 de dezembro de 2012, as seguradoras não podem mais cobrar preços diferentes por sexo, por decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia no caso conhecido como Test-Achats. Lá, a mulher jovem deixou de ter o desconto, e o homem jovem deixou de pagar a mais por ser homem. É um debate de política pública, não de estatística, e por enquanto aqui a regra é a do cálculo de risco.
O que pesa mais que o sexo no seu seguro
Se a sua cotação veio alta, o sexo raramente é o culpado. Os fatores que mais mexem no preço, nesta ordem, costumam ser:
- A idade de quem dirige. É o maior efeito da base da SUSEP: 78% de diferença na taxa entre o homem mais jovem e o mais velho.
- O modelo do carro. Carros muito visados por ladrões ou com peças caras mudam completamente o preço. Mostramos os modelos mais baratos de segurar no guia dos 10 carros com seguro mais barato.
- O CEP e a garagem. O mesmo carro, com o mesmo condutor, pode ter preços bem diferentes em bairros diferentes da mesma cidade, porque o roubo varia muito por região.
- A classe de bônus. Anos sem sinistro dão desconto acumulado, e esse desconto pode ser levado para outra seguradora. Explicamos como no guia de renovação sem perder o bônus.
- A seguradora. Cada uma tem apetite por um perfil. A mesma mulher de 40 anos pode ter cotações muito diferentes entre seguradoras, como mostramos no guia de qual seguradora tem o seguro mais barato.
Dicas práticas para a mulher pagar menos no seguro
- Seja a principal condutora se você é quem dirige. Carro em nome do marido, dirigido por você, deve ter você no perfil. É a forma honesta de aproveitar o desconto.
- Atenção ao filho jovem. Se alguém de 18 a 25 anos dirige o carro, mesmo de vez em quando, informe. A economia de omitir é pequena perto do risco de negativa.
- Garagem conta. Se você tem garagem em casa e no trabalho, declare. O roubo é o sinistro que mais pesa contra as mulheres depois dos 46, e a garagem é uma das respostas do questionário ligadas a esse risco.
- Escolha a franquia com consciência. Como a mulher tem tantas batidas parciais quanto o homem, uma franquia muito alta pode fazer você pagar quase todo pequeno conserto do próprio bolso. Veja a conta no guia de como funciona a franquia.
- Compare em várias seguradoras. O peso do sexo muda de uma tabela para outra, e é a comparação que mostra onde o seu perfil é mais bem-vindo.
Como fizemos esta apuração
Para quem quiser conferir ou refazer a conta:
- Fonte: SUSEP, sistema AUTOSEG, arquivo arq_casco_comp.csv do pacote do 1º semestre de 2021, o mais recente publicado (os pacotes de 2021B em diante retornam erro no site da SUSEP em 21/10/2026).
- Recorte: carros de passeio nacionais (código de tarifa 1), cobertura compreensiva, condutor pessoa física com sexo e idade informados. Ficaram de fora pessoa jurídica e idade não informada.
- Preço: comparado pela taxa, que é o prêmio dividido pela importância segurada, para não misturar o efeito do sexo com o do valor do carro.
- Sinistros: separados por causa (roubo e furto, colisão parcial, colisão com perda total), porque somar todas as causas esconde a diferença que importa. A frequência é por 100 veículos expostos durante um ano.
Incêndio e a causa "outros", que reúne principalmente vidros e pequenos reparos, entram no custo total de sinistro, mas não aparecem separados nas tabelas: são acionados com mais frequência por quem tem carro mais caro e cobertura mais completa, e por isso dizem mais sobre o carro do que sobre quem dirige.
É uma fotografia do mercado inteiro num semestre, não a tabela de uma seguradora específica. Serve para entender o padrão de risco, não para prever a sua cotação, que depende de todos os fatores juntos.
Como a Virtus ajuda
A Virtus Corretora (SUSEP 212110493) cota o seu perfil em várias seguradoras de seguro auto de uma vez, com o principal condutor e os condutores eventuais informados do jeito certo. Assim você aproveita o desconto que tem direito sem correr o risco de uma negativa depois. Mande pelo WhatsApp o modelo do carro, o CEP, quem dirige e se há garagem: devolvemos as opções lado a lado.
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Sobre o autor
Wellington SantosFundador e Especialista em Proteção Patrimonial
Engenheiro de Produção formado pela UniABC – Universidade do Grande ABC (atual Anhanguera), atua no mercado de seguros desde 2015. Fundou a Virtus Corretora de Seguros em 2020, após anos consolidando experiência como parceiro em corretoras como My Life e Nova Affinity. Treinou dezenas de novos corretores ao longo da carreira e combina o rigor analítico da engenharia com atendimento consultivo direto ao cliente final, atuando em planos de saúde, seguro auto, vida, residencial, viagem e consórcio.
Perguntas frequentes
O que mais perguntam sobre isso
Seguro de carro é mais barato para mulher?
Na média, sim. Na base pública da SUSEP (AUTOSEG, 1º semestre de 2021, a mais recente publicada), a taxa do seguro auto, que é o prêmio dividido pelo valor do carro, é 8,5% menor para mulheres. A diferença depende da idade: é de 19,6% entre 18 e 25 anos e cai para 4,7% depois dos 55. Em cada cotação, porém, o modelo do carro, o CEP e o bônus pesam mais que o sexo.
Por que o seguro da mulher é mais barato?
Porque as mulheres têm menos sinistro grave. Nos dados da SUSEP, a frequência de colisão com perda total é 25% menor entre mulheres (0,43 contra 0,57 por 100 veículos por ano). Já as batidas parciais acontecem na mesma frequência, até 4% mais entre elas. Como a perda total é o sinistro mais caro, o custo médio de indenização por carro fica 11% menor para as mulheres.
Em 2026 o seguro ficou mais caro para mulheres?
Algumas reportagens de 2026 dizem que sim em vários casos, mas sem informar de onde vem o número. A base pública da SUSEP mostra que, acima dos 46 anos, as mulheres sofrem mais roubo e furto que os homens, o que pode encarecer o seguro em certos perfis. Não existe regra fixa: o único jeito de saber é cotar o seu perfil em várias seguradoras.
Posso colocar minha esposa como principal condutora para pagar menos?
Só se ela for, de fato, quem mais usa o carro. Declarar como principal condutora quem não é configura informação falsa no questionário. Pela Lei 15.040/2024, artigo 44, a omissão dolosa faz o segurado perder a garantia, ou seja, a seguradora pode negar a indenização, e a culposa reduz a indenização na proporção do prêmio que deixou de ser pago.
A seguradora pode cobrar preço diferente por sexo?
No Brasil, as seguradoras usam o sexo do principal condutor como um dos fatores de preço, e não encontramos norma da SUSEP que proíba essa prática. Na União Europeia é diferente: desde dezembro de 2012, por decisão do Tribunal de Justiça europeu, o sexo não pode mais ser usado para diferenciar preço de seguro.
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